domingo, 24 de maio de 2009

Mar dos Sentimentos


E nas águas do turbulento mar dos sentimentos me lancei
Sem nenhuma segurança, mesmo sem saber nadar
Fui confiando somente no medo de te perder
Nem que para isso corra o risco de me afogar

Às vezes me sinto sufocado pelas ondas
E perdido no seu imenso tamanho
E eu lá sozinho boiando nessa nova experiência
"Pois uma mente que se abre a uma nova idéia nunca volta a ter o mesmo tamanho!"

Vejo de longe um barco se aproximar
Com um ser encapuzado que me oferece a mão
E eu no desconhecido mar dos sentimentos o nego
Pois no casco do barco havia escrito Solidão

E vejo então o barco se afastando lentamente
E não guardo esperanças de nunca mais ela voltar
Pois daqui a pouco tempo, mesmo contra a minha vontade
Ela ira vir me buscar

Continuo boiando no mar dos sentimentos
Agora já estou bem longe do Porto Razão
Bate dentro de mim um arrependimento que serve de âncora
Que me faz afundar na escuridão

Debato-me e volto à superfície
Consigo acalmar esse sentimento
O arrependimento dá lugar a outro bem mais leve
Conhecido como Lamento

Meu corpo está frio e umidade me dá agonia
Vejo pulsar mais lentamente meu coração
Vejo ao longe aproximar-se mais um barco
Dessa vez era grande e sólido e no seu casco havia escrito Razão

Minha consciência me viu pular do Porto Razão
E quis me resgatar do sentimento
Mas assim como a Solidão deixei-o passar
Deixo ir embora para meu tormento

Não tenho medo dos perigos
Só medo da desilusão
Que torna-me cauteloso
Transborda-me os olhos de emoção

Eu só quero acreditar de novo
Quero dizer Eu te amo com clareza
Mas de longe vejo um barco a se aproximar
Dessa vez é a minha amiga tristeza

-Vem! Não seja idiota!
-Gritou ao passar por mim
-Não quero ir, vá embora agora!
-Sinto a tristeza triste por mim.

Eu só quero agora
Desfrutar desse mar imenso e duvidoso
Relaxante e profundo
Extremamente perigoso

Amor
Felicidade e emoção
Tudo sonhos imaginados
Por um corpo abandonado sem coração

Mas hoje nada faz sentido
Tanto faz iludir-me ou não
Sou um prematuro desistente do tempo
Vivendo nessa maldição


Gabriel Pontes

terça-feira, 12 de maio de 2009

Reflexão.


Travo uma batalha violenta com meus pseudônimos, já não sei o que sou e o que eu quis aparentar ser. O que aparentemente era controlado por mim se perde, envolvendo-me na carapaça da arrogância e do egocentrismo. A vida volta-se ao pensamento, ao questionamento, dói, e o medo impera novamente.

Sou como uma criança que quando leva a segunda palmada da mãe no mesmo lugar percebe que não dói tanto quanto a primeira, pois fica dormente e foi assim (dormentes) que deixei meus sentimentos perante as palmadas dadas pela desilusão. Sempre quis acreditar que estava encima do muro e hoje vejo que tudo que eu fiz foi, lá de baixo, me imaginar e agir como se estivesse encima dele. Sou um hipócrita que vive num mundinho fantasiado cheio da necessidade de se afirmar. Sou escravo do próprio medo, sou covarde.

Sei que nesse momento chego a um ponto do caminho que vejo quatro portas.

A que está atrás de mim me leva a retrocedência, desistindo assim de tudo que um dia fiz, de todos os livros que li, do "conhecimento" que adquiri. Voltando a ser mais um adolescente alienado que vive para a TV e não está nem ai para o mundo.

A que está ao meu lado direito é a porta da genialidade, a que me recompensará por todos os entraves do seu caminho árduo e difícil, eu serei aceito pela massa e os guiarei para algo melhor (ou pior?). Mas quantos amigos e experiências terei de deixar para seguir esse caminho? Quantas noites perderei lendo livros?

A que está a minha esquerda é a porta que me leva a loucura (sinto forte atração por ela), que me recompensará por todos os entraves do seu caminho árduo e difícil, mas em contradição com a porta a minha direita eu não serei aceito pela sociedade (isso importa?).

A que está a minha frente tem uma tranca, uma tranca chamada medo cuja chave está em meu peito, essa porta é aporta do desconhecido que me levará a qualquer quanto, a qualquer caminho. Uma pessoa melhor? Uma pessoa pior?

Fazendo o balanço geral dessas portas sinto que não sei qual escolher, até quando viverei fugindo, ou escolhendo essas portas? Será que tem volta?

Mas nesse momento o único portal que vejo que tenho que atravessar é o do meu mundinho cercado de sombras, sombras da realidade distorcida (adaptadas?), livre-me das algemas do medo e do pessimismo e sair dessa caverna que me aprisiona. Queria eu que fosse tão fácil assim.

Gabriel Pontes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Só Lamento.


A alguns dias numa conversa que tive com uma amiga ela me disse que se pudesse voltar no passado ela não faria algumas coisas que lhe trouxeram experiência, mas a deixava muito constrangida. Eu parei para pensar e respondi: se eu pudesse voltar no passado, faria sim tudo de novo, não podemos nos arrepender do que fizemos, entretanto isso não quer dizer que não podemos lamentar. -Ela sorriu.

Meu passado é algo complicado por que eu o fiz assim admito, como sempre falei aqui quando você lê "dois" livrinhos capengas e descobre que só isso basta para superar a mentalidade de muitas pessoas na massa isso te torna altamente egocêntrico e no meu caso, altamente narcísico e elitista. Eu fui só mais uma vítima do pseudo conhecimento e ao achar que estava me tornando um sábio não percebi que cavava uma cova funda, solitária e vazia. Achando que o mundo não é justo para aqueles que sabem menosprezei pessoas, decepcionei pessoas, briguei com pessoas. Se pudesse voltar atrás no tempo eu faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

Lembro dos cantos que deixei de ir por que o papo não me agradava, lembro que deixei muitos dos meus amigos de infância por que eles preferiam falar sobre Futebol e eu queria discutir Marxismo, Filosofia, política. Lembro que eles até brincavam: O Gabriel ta doido!
Com o tempo eu me tornei um chato, só queria falar coisas produtivas, até mesmo no meio de pessoas completamente alienadas ao invés de me sentar e discutir futebol como alguém humilde e comum. Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

E assim fui perdendo pessoas, alguns fazem falta, outros nem lembro que existe. E quando você tem poucos amigos o mundo se torna maior do que já é. Comecei o blogue La Solitudine para que fosse uma forma de escape de mundo real, onde aqui eu iria postar somente coisas boas. Grandes jornalistas amigos do meu pai adoravam meus textos críticos e inovadores, era uma fase de inovação. Falhei. Tornei o blogue um poço de lamentações e murmúrios que até pouco tempo era lido somente por mim. Se pudesse voltar atrás faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

E todas as meninas lindas e gentis que eu encontrei no caminho, poderia ter aproveitado mais os momentos a dois, poderia ter me preocupado menos com o supérfluo, poderia ter sido mais compreensível. Se pudesse voltar atrás faria tudo de novo, mas hoje lembrando só lamento.

E todas as noites de sono perdidas devorando livros, alguns eu sequer entendia e lia, relia, relia até a cabeça doer e os olhos não pararem de lacrimejar de tanto forçar a vista. Dos dias de sol perdidos em uma biblioteca lendo mais livros. Se pudesse volta atrás... (Por que somente para isso em mim permanece a dúvida, essa experiência foi a que definiu o que sou.)

Gabriel Pontes

terça-feira, 5 de maio de 2009


Olá leitores, eu não gosto de vocês.

Mas a educação que mamãe me deu não pode faltar nesse momento que me sinto muito satisfeito em ver que hoje o meu blogue é reconhecido, não só como histórias deprimentes de um símio desprovido de rabo, alcoolizado e infeliz. Mas sim como palavras sentidas (sem sentido?!) e vividas por alguém que diz não acreditar nos sentimentos, mas que os vive com tanta veracidade que os faz chorar, sentir pena e refletir.

Não posso deixar de dizer obrigado (O que? Gabriel agradecendo? oO') a todos aqueles que lêem meu blogue, sei que você leitor pode não concordar com meu ponto de vista, pode me achar um playboyzinho que tem tudo que quer e procura motivo para aparecer. Isso não faz diferença, você também esconde um lado hipócrita, só tem medo de mostrar, eu publico minhas hipocrisias em forma de textos e poesias e você prefere se esconder preso nas raízes do ego e com medo do que os outros vão dizer.

Deixando de lado esse papo emocore vou escrever uma poesia diferente. Dá para se perceber que minha vida amorosa é muito atribulada; Envolvo-me e Decepciono-me varias vezes, mas esse é o combustível que move meu blog. E atualmente, não poderia me sentir diferente, nada melhor do que estar com alguém. Mas não se preocupem leitores, daqui a alguns dias eu voltarei revoltado e mal amado escrevendo poesias de como a vida é ruim para mim por não deixar que eu seja feliz (se isso é possível). Aguardem meus lamentos.

Me perco na escuridão do ego
Não sei onde vivo ou onde vivia
Perdido nas mazelas amaldiçoadas
Preso nos galhos da misantropia

Mas de repente chega uma moça
Bonita e com um leve sorrisinho
Para me mostrar que nesta vida
Não se pode viver sozinho

É estranho ela entrar na escuridão
Sem medo de se tornar mais uma escrava
Levada aos pensamentos obscuros
No pântano que certa a arvore que me aprisionava

E resgatou-me dos galhos amaldiçoados
Tirando-me da escuridão
E com um beijo tudo tornou-se claro para mim
Volta a bater meu coração

Volta a vida pulsar nas veias
Na pele morena que me contagia
Nos beijos calientes de doces
Solto sorrisos de alegria

E meu coração tenta
Aproveitar ao máximo tudo isso
Pois logo eu mesmo
Posso fazer disso um desperdício

E jogar fora mais uma oportunidade
Que a vida me dá
Ou então a vida irá me iludir
E quando estiver envolvido essa garota ela irá levar.

Gabriel Pontes