domingo, 25 de outubro de 2009

Dual

Ando hoje sem propósitos
Todo nesse mundo é apenas um desgaste
Vivo vagando e me perguntando:
Pai, por que me abandonastes

Perambulo pelos cantos
Fazendo o que sempre fazia
Encontrando o aconchego nos ombros amigos
Na velha e manjada boemia

Que propósito tenho eu
Que ainda ponho-me a indagar
Quando olhando para trás vejo tudo o que passei
Mas na frente vejo muito caminho a trilhar

Encontro-me sem rumo
Colhendo os frutos que eu mesmo plantei
Indagando-me com tom desajeitado:
Pai, por que te abandonei

Uno minhas mãos em oração
Peço refúgio a quem não acredito
A ele mesmo, o tão famoso Deus
Ou nas garras do feroz Mefisto

Sinto vontade de repor
Meu coração que eu aposentei
Logo ali atrás do armário
Dentro de uma caixa de sapatos onde eu o coloquei

Mas que nada
Não a coragem para que isso seja feito
Sempre serei o renegado anjo de Deus
Jamais lembrado pelos seus feitos

Sou o poeta sem coração
Sem Deus o poderoso abrigo
Serei para sempre escravo de minha devoção
Pelo confuso mundo por mim escolhido.

Gabriel Pontes

2 Comentários:

lalazinha disse...

Sinto vontade de repor
Meu coração que eu aposentei
Logo ali atrás do armário
Dentro de uma caixa de sapatos onde eu o coloquei...

queria saber fazer isso...

Te AMO

Eduardo Barbossa disse...

Caraca! MUITO BOM MESMO!
Você está surpreendendo a cada novo post! Esse ar clássico e sacro é atualíssimo. Parabéns.

Um abraço.

Eduardo

PS: Visite-me quando tiver um tempo.